6/30/2003 12:12:38 AM

Água Perrier

Ontem estava escutando o primeiro disco da Calcanhoto e ao ouvir ¿Água Perrier¿ voltei no tempo. Quando ele foi lançado eu tinha acabado de entrar na faculdade de comunicação e me achava a própria revolucionária. Tinha muitas idéias, objetivos, ideais, rebeldias e quase nenhuma vivência de mundo. Ao ouvir essa canção me sentia totalmente dentro dela.

Na música, Calcanhoto esculhamba muito o seu estranho objeto do desejo chamando-o de clichê, blasé e entediante. Mesmo assim, ela se mostra apaixonada (vai entender as mulheres) e fala que ao invés de o seu amor provar do seu álcool forte, pede Água Perrier. Eu cantava em altos brados me sentindo a própria cachaça (talvez uma tequila).

Agora vejo como mudei. Ao ouvir o disco me coloquei no meu devido lugar. Hoje sou apenas uma água mineral sem gás.

Água Perrier

(Adrina Calcanhoto / Antônio Cícero)

Não quero mudar você,

Nem mostar

Novos mundos

Pois eu, meu amor, acho graça até mesmo em clichês

Adoro esse olhar blasé

Que não só

Já viu quase tudo

Mas acha tudo tão déjà vu mesmo antes de ver

Só proponho

Alimentar seu tédio.

Para tanto exponho a minha admiração

Você em troca cede o

Seu olhar sem sonhos

A minha contemplação:

Ai eu componho uma nova canção

Adoro sei lá por que

Esse olhar meio escudo

Que em vez de qualquer álcool forte pede Água Perrier

Adoro sei lá por que

Esse olhar meio escudo

Que não quer o meu álcool forte sim Água Perrier

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6/27/2003 12:44:03 AM

Que bom filme é você?

Acabo de fazer esse teste e olha só o resultado…

Gostei demais desse filme.



Você é “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain” de Jean Pierre Jeunet. Você é engraçado(a), original. Uma pessoa leve e maravilhosa de se conviver.

Faça você também Que

bom filme é você?
Uma criação de<img height="25" border="0" O

Mundo Insano da Abyssinia

6/21/2003 02:56:11 PM

Carlos Drummond Andrade

Nas minhas navegações internéticas encontrei este texto do Drummond. Me emocionou.

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Mesmo antes de nascer, já tinha alguém torcendo por você. Tinha gente que torcia para você ser menino. Outros torciam para você ser menina.Torciam para você puxar a beleza da mãe, o bom humor do pai. Estavam torcendo para você nascer perfeito.

Daí continuaram torcendo. Torceram pelo seu primeiro sorriso, pela primeira palavra, pelo primeiro passo. O seu primeiro dia de escola foi a maior torcida. E o primeiro gol, então? E de tanto torcerem por você, você aprendeu a torcer.

Começou a torcer para ganhar muitos presentes e flagrar Papai Noel. Torcia o nariz para o quiabo e a escarola. Mas torcia por hambúrguer e refrigerante. Começou a torcer até para um time. Provavelmente, nesse dia, você descobriu que tem gente que torce diferente de você. Seus pais torciam para você comer de boca fechada, tomar banho, escovar os dentes, estudar inglês e piano. Eles só estavam torcendo para você ser uma pessoa bacana. Seus amigos torciam para você usar brinco, cabular aula, falar palavrão. Eles também estavam torcendo para você ser bacana. Nessas horas, você só torcia para não ter nascido. E por não saber pelo que você torcia, torcia torcido. Torceu para seus irmãos se ferrarem, torceu para o mundo explodir. E quando os hormônios começaram a torcer, torceu pelo primeiro beijo, pelo primeiro amasso. Depois começou a torcer pela sua liberdade.

Torcia para viajar com a turma, ficar até tarde na rua. Sua mãe só torcia para você chegar vivo em casa. Passou a torcer o nariz para as roupas da sua irmã, para as idéias dos professores e para qualquer opinião dos seus pais. Todo mundo queria era torcer o seu pescoço. Foi quando até você começou a torcer pelo seu futuro. Torceu para ser médico, músico, advogado. Na dúvida, torceu para ser físico nuclear ou jogador de futebol.

Seus pais torciam para passar logo essa fase. No dia do vestibular, uma grande torcida se formou. Pais, avós, vizinhos, namoradas e todos os santos torceram por você.

Na faculdade, então, era torcida pra todo lado. Para a direita, esquerda, contra a corrupção, a fome na Albânia e o preço da coxinha na cantina.

E, de torcida em torcida, um dia teve um torcicolo de tanto olhar para ela. Primeiro, torceu para ela não ter outro. Torceu para ela não te achar muito baixo, muito alto, muito gordo, muito magro. Descobriu que ela torcia igual a você. E de repente vocês estavam torcendo para não acordar desse sonho. Torceram para ganhar a geladeira, o microondas e a grana para a viagem de lua-de-mel.

E daí pra frente você entendeu que a vida é uma grande torcida. Porque, mesmo antes do seu filho nascer, já tem muita gente torcendo por ele. Mesmo com toda essa torcida, pode ser que você ainda não tenha conquistado algumas coisas. Mas muita gente ainda torce por você!

Se procurar bem você acaba encontrando. Não a explicação (duvidosa) do mundo, mas a poesia (inexplicável) da vida.

Carlos Drummond de Andrade

6/20/2003 11:37:38 PM

depois do inverno digital

Puxa, não pensei que ia aguentar passar uma semana longe do computador e da NET. Bem, mas já estou de volta!!!

Queria escrever alguma coisa legal pra comemoar essa volta, mas não vai rolar. Resolvi enão postar um texto que eu escrevi quando os EUA atacaram o Iraque, sem trocadilhos eu estava Irada… O texto tem prazo de validade venciddo, mas e daí?

Pelo menos ele é inédito.

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Do Atari ao Playstation, a evolução da cobertura jornalística.

Uma vez eu ouvi em algum lugar, não lembro onde, que qualquer guerra é uma ótima maneira para se aprender geografia. Talvez seja por isso, para atender aos seus conterrâneos mais limitados como ele, que Bushinho deu inicio aos bombardeios ao Iraque. Fora o choque, comum a todas as pessoas de bem, que vêm esse ataque como genocídio, eu tenho achado incrível ver como a cobertura jornalística de guerra tem se aperfeiçoado desde a guerra do Golfo.

Na guerra passada, os canais de TV apregoavam as maravilhas da tecnologia dizendo que estávamos vendo tudo em tempo real. O que eu via eram várias luzinhas numa tela verde. Parecia um jogo de Atari (para os mais novos, Atari foi o ancestral paleolítico desses videogames de hoje em dia. Apesar da péssima resolução, fez a minha geração sonhar).

Hoje quando ligo a TV vejo flashes ao vivo da guerra, vemos imagens dos ataques aéreos, da ofensiva terrestre. Aliás, o nome ofensiva é muito adequado. É claro que houveram baixas dos infelizes jornalistas que foram cobrir a barbárie em loco, mas são os ossos do ofício. Só falta melhorar as imagens transmitidas pela internet, que ainda são muito ruinzinhas, a imagem fica congelando e descongelando enquanto o áudio já está a quilômetros de distância.

Agora falando da guerra propriamente dita, vocês já pensaram no precedente que essa guerra abriu? Uma prima minha que voltou dos States disse que o burburinho por lá era de que Júnior não estava muito feliz com Hugo Chaves e com Lula. Já imaginaram se o imbecil resolve que não estamos cuidando bem da Amazônia e que isso é um risco para eles? Ou percebem que a polícia aqui é uma piada e por isso somos perigosos, ou que nossas praias são mais bonitas que as deles e isso é inaceitável?

Além de não respeitar os tratados internacionais como o de Kioto, o débil desrespeitou a decisão do conselho de segurança da ONU e não está dando a mínima para a opinião pública mundial. Deus me perdoe, mas dá até vontade de ver Saddam meter uma bomba na presunção desses beócios.

Para os americanos, aliás, para os Norte Americanos (aquele paísinho de merda, que nem nome tem, se acha no direito de se adonar do continente inteiro. Nós também somos americanos, e do melhor hemisfério da América), fazer guerra é como fazer copa do mundo para a gente, uma chance de mostrar seu ufanismo, vestindo bandeiras, pintando as ruas e usando plaquetas ridículas nas portas ¿here lives na american¿. Minha sugestão é que façam um papel higiênico com a bandeira e a cara o presidente macaco deles. Aí vamos dar o uso correto aos dois.

6/13/2003 08:14:02 PM

Nota Triste

Acabo de ouvir uma notícia que me entristeceu, nessa noite de sexta-feira 13. Morreu o Nêgo Dito Itamar Assumpção. A notícia foi rápida, sem maiores detalhes. Não sei o que foi que aconteceu. Só oví que aos 50 e poucos anos ele se foi deixando o mundo um pouco mais pobre. Órfão de seu humor cítrico, de suas músicas ritimadas, de sua voz.



Nascido Francisco José Itamar de Assumpção,

em Tietê, SP, em 13 de Setembro de 1949, teve forte

presença na vanguarda paulista junto com Arrigo Barnabé

e banda Sabor de Veneno, ganhando alguns festivais com

músicas como Diversões Eletrônicas e Sabor de Veneno.

Bisneto de escravos angolanos, cresceu ouvindo

os batuques do terreiro de candomblé no quintal de sua

casa.

Aos 12 anos mudou-se para Arapongas (PR), onde

cursou até o 2o. ano de contabilidade, abandonando os

estudos para fazer teatro e shows em Londrina, onde

conheceu Arrigo Barnabé.

Aprendeu a tocar sozinho violão e ouvindo Jimmy

Hendrix e os arranjos de baixo e bateria, apaixonou-se

pelo baixo.

Em 1973 veio para Sampa para se tornar um profis-

sional da música, mas pouco conseguiu, e teve que fazer

bicos para sobreviver.

Em 1975 ganhou um Festival em Campinas com a

música “Luzia” e participou do Festival da Feira da Vila

(Vila Madalena) com a música “Nego Dito”.

Em 1980 gravou seu primeiro LP -Beleléu, Leléu,

eu- com grande colaboração da turma do Teatro Lira

Paulistana, misturando reggae, samba, rock e funk,

acompanhado por uma banda excepcional (Banda Isca de

Polícia), já dava mostras do seu enorme potencial e matu-

ridade.

Depois vieram os discos “Às Próprias Custas S.A.”

(1983), “Sampa Midnight” (1986), “Intercontinental”(1988),

“Bicho de Sete Cabeças I e II” (1994) e o último “Pretobrás”

(1998).

Evitando sempre o sucesso fácil e imediato,

foi rotulado como “artista maldito”.

(retirado do site oficial do cantor)