7/29/2003 10:54:38 AM

Existem alguns lugares que nos trazem belas recordações, onde passamos bons momentos e estivemos próximos de pessoas que nós gostamos.

Um lugar muito especial para mim é a lagoa verde. Um paraíso pertinho de Salvador, com uma lagoa linda, onde o céu e as dunas interagem perfeitamente com a água.

Eu estive lá pela primeira vez em 95. O lugar ainda era quase desconhecido. Chegamos de noite, após termos feito 12 quilômetros de trilha numa Kombi. No escuro não deu para eu ver direito o que me esperava, sabia apenas que tinha uma lagoa. Montei minha barraca e fui dormir.

Pela manhã, ao acordar, me deparo com uma vista de tirar o fôlego. Uma enorme lagoa de transparente e um céu cheio de cores que anunciava o amanhecer de um dia de sol.

De primeira fiquei receosa de atravessar nadando, não sabia a profundidade e nem nada daquele lugar. Atravessei pela margem até o outro lado, onde uma duna de areia mergulhava nas águas azuis, e parei embevecida.

Depois dessa viagem, já estive na Lagoa Verde, diversas outras vezes. Sempre me encantando com sua beleza.

Eu me prometi que só levaria até lá, pessoas realmente especiais para mim. E foi numa dessas viagens que comecei a namorar Fernando, meu marido (mas isso já é uma outra história).

Hoje muitos já conhecem o lugar e não vemos mais orquídeas selvagens nas dunas, nem diversos animais e suas pegadas pela areia. É uma pena. Mas no meu coração a Lagoa Verde sempre será aquela da primeira viagem. Um passeio lindo e inesquecível.

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7/18/2003 10:38:33 PM

Para que serve um barômetro

De Waldemar Setzer, professor aposentado da USP

Há algum tempo recebi um convite de um colega para servir de árbitro na revisão de uma prova. Tratava-se de avaliar uma questão de Física que recebera nota zero. O aluno contestava tal conceito, alegando que merecia nota máxima pela resposta, a não ser que houvesse uma conspiração do ¿sistema” contra ele. Professor e aluno concordaram em submeter o problema a um juiz imparcial, e eu fui o escolhido.

Chegando à sala de meu colega, li a questão da prova, que dizia: “Mostre como pode-se determinar a altura de um edifício bem alto com o auxilio de um barômetro. ”

A resposta do estudante foi a seguinte:

“Leve o barômetro ao alto do edifício e amarre uma corda nele; baixe o barômetro até a calçada e em seguida levante, medindo o comprimento da corda; este comprimento será igual à altura do edifício”. Sem dúvida era uma resposta interessante, e de alguma forma correta, pois satisfazia o enunciado. Por instantes vacilei quanto ao veredicto.

Recompondo-me rapidamente, disse ao estudante que ele tinha forte razão para ter nota máxima, já que havia respondido a questão completa e corretamente. Entretanto, se ele tirasse nota máxima, estaria caracterizada uma aprovação em um curso de física, mas a resposta não confirmava isso. Sugeri então que fizesse uma outra tentativa para responder a questão.

Não me surpreendi quando meu colega concordou, mas sim quando o estudante resolveu encarar aquilo que eu imaginei lhe seria um bom desafio. Segundo o acordo, ele teria seis minutos para responder à questão, isto após ter sido prevenido de que sua resposta deveria mostrar, necessariamente, algum conhecimento de física. Passados cinco minutos, ele não havia escrito nada, apenas olhava pensativamente para o forro da sala.

Perguntei-lhe então se desejava desistir, pois eu tinha um compromisso logo em seguida, e não tinha tempo a perder. Mais surpreso ainda fiquei quando o estudante anunciou que não havia desistido. Na realidade tinha muitas respostas, e estava justamente escolhendo a melhor.

Desculpei-me pela interrupção e solicitei que continuasse. No momento seguinte ele escreveu esta resposta: “Vá ao alto do edifico, incline-se numa ponta do telhado e solte o barômetro, medindo o tempo t de queda desde a largada até o toque com o solo. Depois, empregando a fórmula h = (1/2)gt^2 , calcule a altura do edifício.”

Perguntei então ao meu colega se ele estava satisfeito com a nova resposta, e se concordava com a minha disposição em conferir praticamente a nota máxima à prova. Concordou, embora sentisse nele uma expressão de descontentamento, talvez inconformismo.

Ao sair da sala lembrei-me que o estudante havia dito ter outras respostas para o problema. Embora já sem tempo, não resisti à curiosidade e perguntei-lhe quais eram essas respostas. “Ah, sim!” – disse ele – “há muitas maneiras de se achar a altura de um edifício com a ajuda de um barômetro.” Perante a minha curiosidade e a já perplexidade de meu colega, o estudante desfilou as seguintes explicações.

“Por exemplo, num belo dia de sol pode-se medir a altura do barômetro e o comprimento de sua sombra projetada no solo, bem como a do edifício”. Depois, usando-se uma simples regra de três, determina-se à altura do edifício. “Um outro método básico de medida, aliás bastante simples e direto, é subir as escadas do edifício fazendo marcas na parede, espaçadas da altura do barômetro. Contando o número de marcas ter-se-á a altura do edifício em unidades barométricas”.

Um método mais complexo seria amarrar o barômetro na ponta de uma corda e balançá-lo como um pêndulo, o que permite a determinação da aceleração da gravidade (g). Repetindo a operação ao nível da rua e no topo do edifício, tem-se dois g’s, e a altura do edifício pode, a princípio, ser calculada com base nessa diferença. “Finalmente”, – concluiu, – “se não for cobrada uma solução física para o problema, existem outras respostas. Por exemplo, pode-se ir até o edifício e bater à porta do síndico. Quando ele aparecer diz-se: “Caro Sr. síndico, trago aqui um ótimo barômetro; se o senhor me disser a altura deste edifício, eu lhe darei o barômetro de presente.”.

A esta altura, perguntei ao estudante se ele não sabia qual era a resposta ‘esperada’ para o problema. Ele admitiu que sabia, mas estava tão farto com as tentativas dos professores de controlar o seu raciocínio e cobrar respostas prontas com base em informações mecanicamente arroladas, que ele resolveu contestar aquilo que considerava, principalmente, uma farsa.

7/16/2003 02:14:01 PM

Coisas que acontecem a noite

Estava no carro, ao lado de Nando, em frente à casa de minha mãe, esperando ela prender o cachorro para entrarmos. Ele olha pra mim e mostra:

-Olhe ali, preta. Um vagalume!

-É mesmo! Que lindo.

Enquanto víamos a luzinha verde acendendo e apagando e eu voltei no tempo.

– Puxa Nando, quando eu era pequena, aqui tinha mais vagalumes.

Continuei pensando sobre esses bichinhos, lembrando de uma história que minha avó contava, onde 2 irmãos (Miguelinho e Doralice) para entrar numa caverna e enxergar lá dentro, untavam um bastão com pixe e sacudiam num lugar cheio de vagalumes, colando vários deles ao viscoso bastão e fazendo assim uma improvisada lanterna. Era a minha parte favorita do conto.

Depois dessa divagação, sem tirar os olhos da insistente luzinha, percebi que tinha algo de estranho no reino da Dinamarca. O vagalume não se mexia!

Olhando com mais atenção, descobri o motivo. O que estávamos vendo era, em verdade a luz do meu celular refletida no vidro do carro. Caímos os dois na risada.

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As noites que não tem lua no céu são especialmente gostosas para quem, como eu, gosta de ver estrelas. É só ficar deitadinha quieta, que as constelações começam a se mostrar. encontro touro (meu signo), escorpião, as plêiades…

Nessa noite eu estava acampando com uns amigos na Lagoa Verde. Um lugar mágico, onde as dunas de areias brancas adentram na lagoa transparente formando um espetáculo de beleza única. Depois de um dia de sol forte, brincando e mergulhando, nós só queríamos relaxar e olhar pro céu.

Eu havia comentado que esse lugar era um bom lugar para se ver estrelas cadentes. E todos procuravam por uma.

– Achei! Disse alguém.

Passado algum tempo, um dos meninos avistou uma outra.

– Achei mais uma, vou fazer um pedido!

Eu continuava procurando, quando de repente:

– olha uma aqui!

Uma estrela enorme ¿caiu¿ bem pertinho. Então uma coisa estranhíssima aconteceu. Um pouco abaixo de onde a estrela apagou surgiu uma outra:

-Outra!!!

E mais uma:

-E outra!!!

Na quinta estrela eu saquei que na verdade eu tinha visto um lindo vagalume cadente.