Boca de Galinha amanhã…

Pessoal: dando seguimento à minha semana cultural (e gastronômica, off course) amanhã devo ir almoçar com Nando e as crias no Boca de Galinha. Se você é de Salvador, certamente conhece esse pitoresco restaurante, se é de fora… aguarde as fotos e a resenha 😉

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Quinta-feira na feira.

Hoje de manhã fui acompanhar uma amiga à São Joaquim. Para quem não conhece o lugar, eu explico: a Feira de São Joaquim, antiga Água de Meninos é uma enorme feira livre (quase uma cidade) que fica à beira mar, no bairro do comércio, em Salvador e vende de um tudo. Deve vir de família esse meu encanto por feiras, eu fico siderada a cada vez que vou até lá. O passeio é uma experiência para todos os sentidos.

Logo na chegada os ouvidos precisam se acostumar com a diversidade dos sons. Os gritos de vendedores apregoando suas mercadorias mesclam-se com o rádio do boteco ao lado que sempre toca no maior volume alguma música popular, enquanto um rapaz guiando um carrinho de mão abarrotado de compras berra pra você sair da frente.

Tem coisa mais gostosa que provar as frutas suculentas oferecidas pelos feirantes para você ter certeza que seus produtos são os melhores e mais doces das redondezas? Provei tangerina, manga espada, melancia e pinha (hoje, infelizmente, nenhuma jaca mole cruzou o meu caminho). Pra quem ta de nariz virado, com nojinho das frutas comidas sem nenhuma higiene, na promiscuidade da feira, só digo uma coisa: – desolê, você não sabe o que está perdendo.

Hoje, especificamente, me encantei na barraca de “Seu Nezinho dos Temperos” e comprei cravo da índia em pó (você já viu?), ervas finas, ervas provençais, anis estrelado, bolinhas de mostarda, alecrim moído, erva doce bem verdinha num buquezinho amarrado de cordão, coentro moído, páprica doce, manjericão moído, e uma mistura de ervas com um nome esquisito que eu nunca ouvi falar e cheira deliciosamente bem. Aliás, minha mochila chegou em casa super cheirosa. Eu tenho certeza absoluta que amanhã já não vou lembrar exatamente que saquinho tem o quê, mas não importa: só estando lá comigo para entender o encantamento com tantos cheiros fortes e deliciosos… Por um momento me vi novamente com meu pai num mercado de temperos na Tunísia… Esse sim eu fotografei.

Durante o passeio é impossível que os  olhos não se percam nas cores das contas de santos que ficam penduradas nas entradas das lojas de toda uma rua da feira, mas é importante se ligar, os gatunos ficam de olho vivo nas bolsas e carteiras deixadas de bobeira: todo cuidado é pouco. Panelas brilhantes e tachos enormes, empilhados formando desenhos bonitos fazem parte da paisagem do local. Em São Joaquim eu encontro até animais: galinhas d’angola, pombos, coelhos, porcos, preás, bodes e juro por Deus que até um pavão eu já vi amarrado na rua da galinha.

Por falar em rua da galinha, é alí que estão várias lojas de macumba, que vendem ingredientes para ebós, animais para matança, água de cheiro, água de flor de laranjeira (a maior delícia para passar com um pano úmido pela casa limpinha), imagens de santos diversos, contas, conchas e todo o material para um “trabalho bem feito”.  Outro dia me diverti um monte na Casa ” Rainha das Águas”, vendo os nomes dos pozinhos milagrosos: tira pemba, traz amor, prende homem, chama dinheiro, 7 segredos, entrega tudo e etc…

Tem um outro pedaço da feira, no corredor que vende miuçalhas, roupas, calcinhas e chinelos de pneus, que tem uma barraca com uns instrumentos esquisitíssimos que parecem saídos de um manual de tortura da idade média: uma vez eu não resisti à curiosidade e perguntei pra que serviam dois inexpugnáveis instrumentos de ferro negro, com cabos de tesoura… a moça, muito simpática, me explicou que eram versões antigas (os primos pobres) das chapinhas e “babylisses” que conhecemos. Vivendo e aprendendo.

Fui também na parte das barracas de farinha e comprei uma amarelinha e fininha vinda de Nazaré das Farinhas, uma gostosura. Aproveitei a barraca e comprei também tapioca para fazer mingau, mungunzá, goma para beiju e um feijão pequeno e meio rosado que a moça garantiu ser bem gostosinho. Nessa barraca eu ficava brincando de enfiar a mão até o pulso nos diferentes sacos de feijão (fradinho, rosa, mulatinho, carioca, preto e enxofre) e sentir a textura friazinha, macia e envolvente de cada um deles. Tá, pode me chamar de doida, aposto que a vendedora (embora não tivesse me dito nada), também pensou isso, mas que é uma delícia, ah isso é.

Ainda passei pela rua do barro onde se compra cerâmicas, pela parte da palha, de onde trouxe uma autêntica vassourinha de bruxa pra Juju arrasar no halloween da escola e uma vassoura boa de piaçava pra minha casa. Comprei um quilo de queijo de coalho bem aerado vindo direto da fazenda (me garantiu Jonas: meu assessor para assuntos feirísticos) uma bananada cascão artesanal, enrolada na folha de bananeira, e uma goiabada cascão pra Nando.

No final da manhã estava exausta mas feliz com o passeio e com as aquisições. Quando será que vou passear na feira novamente?

*Foto tirada daqui http://br.olhares.com/feira_de_sao_joaquim_ba_foto2408460.html

Caboclo Postadô

Amigos queridos:

Dia 20 do mês passado, mais ou menos às 20:00 h, saindo do aniversário de uma amiga, tive meu carro tomado de assalto.

Estava com meus filhos e ambos ficaram muito assustados com toda a situação.  Até hoje, os dois ainda tem algumas seqüelas emocionais de todo o momento ruim que passamos. Graças a Deus está tudo bem, não precisam se preocupar: não aconteceu nada com nenhum de nós, só o susto e as perdas materiais.

Depois desse dia me bateu um banzo e acho que o Caboclo Postadô entristeceu e saiu a passear por outros terreiros. Por isso estou tão caladinha desde então. Tenho até alguns assuntos pra falar:

  • Terminei de ler um livro fantástico que quero recomendar para vocês,
  • fiz uma viagem com Nando e as crianças para Mucugê, na Chapada Diamantina (que me rendeu histórias e fotos novas),
  • vi que Dan Brown lançou um livro novo, que estou doida pra ler,
  • Finalmente saiu no Brasil o terceiro volume da coleção Millenium de Stieg Larson e terça Feira minha amiga Mani vai me emprestar pra eu começar a ler logo.

Então meus amigos, ‘bora acender umas velas pro Caboclo pra ver se ele resolve dar o ar de sua graça e volta a baixar aqui no Trapos.