O maior beijo do mundo.

Essa história é antiguinha; Aconteceu no início de 2008, quando minha avó estava internada no Hospital Aliança e eu sempre que podia ia para lá ficar um pouquinho ao seu lado.

Naquele dia eu tinha pego Ju e Tom na escola e estava com os dois no carro, além da babá. Expliquei a eles para onde estávamos indo e disse que eles teriam que me esperar no jardim lá fora, pois crianças não eram permitidas nas visitas, mas se quisessem eu podia levar o beijo dos dois para a bisa.

Juju começou mandando um beijo enorme. Aí Tom, pra não ficar pra trás, abriu os dois bracinhos e disse que aquele era o tamanho do beijo dele. juju rapidamente mandou: -Mãe. Diz que meu beijo é do tamanho deste carro.

-E o meu é do tamanho do carro do meu pai, rapidamente Tom cobriu.

-Então o meu é do tamanho da Lua e do sol

-E o meu é o céu inteiro com lua, sol e todas as estrelas

Como ganhar de um beijo tão grande? Juju pensou um pouco e decidiu:

-Mãe. diz a vovó Zélia que meu beijo é maior que o dever de casa.

A discussão acabou com Júlia vitoriosa. Dei todos os beijos superlativos e ainda consegui de lambuja boas risadas de D. Zélia ao lhe contar a história.

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Kikos Marinhos

No final dos anos 70 ou início dos 80 (sim amigos, eu estava lá) Salvador foi tomada por uma nova febre, assim como os iô-iôs da Coca-Cola, bambolês e patins.

A onda do momento era os “Kikos Marinhos”. Se você é mais novo que eu e não tem a menor idéia que é isso, eu explico: era uma kit que você comprava na banquinha de revista e vinha com dois envelopezinhos tipo ki-suco (um contendo ovos desidratados de um animalzinho marinho fantástico e outro com comidinha para alimentá-los) encartados num papelão grosso com desenhos de animaizinhos humanóides que garatiam ser os melhores pets jamais vistos.

Se vc não estava lá talvez também não saiba que naquele tempo não existia nada parecido com código de defesa do consumidor e o que era anunciado muitas vezes era bem diferente do que vc realmente levava pra casa. Assim eram os bichinhos… quer dizer os supostos bichinhos porque nem eu, e nem ninguém que eu conhecia, jamais viu nem a sombra deles. Depois de misturar o pozinho do envelope 1 com a água do copo, ficávamos durante dias, semanas olhando aquela água parada e esperando os humanóides rabudos eclodirem para vir brincar e fazer acrobacias como nos era prometido. O que acontecia é que geralmente minha mãe via a água ficar verde e mal cheirosa e deitava nossa experiência pela privada abaixo. Íamos novamente à barraquinha munidos de nossa mesada e reiniciávamos o processo.

Talvez você ache que éramos todos idiotas por acreditar em tal promessa, e continuarmos a gastar nossas economias em um brinquedo tão frustrante, sem ter nenhuma prova da existência real dos Kikos.  Mas éramos crédulos naqueles tempos pré internet e corria a boca pequena que a amiga da prima de uma vizinha tinha uns Kikos enormes que brincavam com ela e tudo. A prima da nossa amiga tinha visto e garantia. Certamente nós tínhamos feito alguma coisa errada. Isso não aconteceria da próxima vez (infelizmente a história se repetiu over and over, só mudando um pouco o final… uma vez eu derrubei o copo sem querer e chorei copiosamente sobre os cadaverezinhos invisíveis… daquela vez teria dado certo e eu estraguei tudo.)

Essa história facilmente ficaria esquecida em algum recôndito da minha memória, e lá esteve adormecida por todos esses anos. Esse mês, entretanto, numa viagem aos EUA, encontrei numa loja de briquedos a versão americana dos Kikos. “Sea Monkeys” é como chamam os bichinhos por lá. Não resisti e comprei o kit (não me chame de idiota. Talvez crédula demais ou ingênua, embora eu prefira acreditar que não perdi a fé na humanidade, nem deixei de confiar na sorte e apostar coisas que não compreendo).

Preparei as crianças para a provável decepção contando da minha experiência pregressa e ainda expliquei que caso nascesse alguma coisa daquela experiência a probabilidade de serem aqueles bichinhos fofinhos da caixa era quase nula.

Pegamos o aquariozinho que veio no kit (antigamente usávamos um copo qualquer), colocamos um anti-cloro (que na primeira versão não existia, ou pelo menos não lembro dele) e esperamos 24 horas pra a água ficar pronta.

No dia seguinte colocamos os ovinhos e mexemos a água.

Sabem o que é mais incrível? Nasceram uns bichinhos que a princípio pareciam pequenas virgulas transparentes em corpo 6, que movimentavam com desenvoltura pelo pequeno habitat.

A cada dia que passa (hoje faz uma semana que os ovos eclodiram) os bichinhos ficam maiores e o maior deles já tem o tamanho de uma unha. Eles parecem um cruzamento de barata do mar com pulga (ah eles tem um rabinho sim, mas daí a compará-los com macacos é uma puta licensa poética).

Posso ser sincera? Estou adorando meus Kikos Marinhos. Todos os dias quando chego do trabalho corro pra ver como eles estão, do mesmo jeito que Ju e Tom fazem quando chegam da escola. Chamo eles de meus nenéns e coloco na varanda pra pegarem uma luz mais intensa (eles não gostam de sol direto). Estou pensando até em colocar nomes para chamá-los individualmente (o problema é saber quem é quem). Voltei à infância e estou “lavando a jega”: Yes we can.