Uma música, duas tristezas

Hoje Nando acordou cantando “O Mundo é um moinho” e eu escutando, voltei no tempo até minha infância, vendo na radiola lá do Rio Vermelho o velho disco de Cartola girar.

Lembrei da lenda que circulava a boca pequena, lá em casa, de que a música tinha sido feita depois de o compositor descobrir que a filha (na verdade enteada, filha de D. Zica) que tinha recentemente saído de casa, estava se prostituindo. Ao saber dessa história a letra da canção se torna ainda mais triste, é o sofrimento de um pai, vendo sua cria escolher um mau caminho, tentando por meio da poesia dar um conselho.

O Mundo É Um Moinho

(Cartola)

 

Ainda é cedo amor

Mal começaste a conhecer a vida

Já anuncias a hora da partida

Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

 

Preste atenção querida

Embora saiba que estás resolvida

Em cada esquina cai um pouco a tua vida

Em pouco tempo não serás mais o que és

 

Ouça-me bem amor

Preste atenção, o mundo é um moinho

Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos

Vai reduzir as ilusões à pó.

 

Preste atenção querida

De cada amor tu herdarás só o cinismo

Quando notares estás a beira do abismo

Abismo que cavaste com teus pés

 

Enquanto escrevia esse texto, a minha rádio-cabeça começou a tocar a versão de Cazuza nos anos 80 (gravação que faz alguns puristas torcerem o nariz  e eu acho linda e muitíssimo bem interpretada ). Quando lembramos a vida, as escolhas e os caminhos percorridos pelo cantor, vemos que os versos nesse caso também servem como uma luva, e como doem.

* Dei uma pesquisada aqui na web pra tentar saber se a história que eu tinha ouvido era verdadeira e encontrei algumas versões dessa lenda mas nada que confirmasse ou desmentisse nenhuma delas.

O primeiro Post de Natal do Ano ou como nasce uma Coruja

A ideia nasceu a pouco mais de um mês. Uma amiga me pediu pra procurar um tutorial de almofada de coruja e navegando pela internet encontrei umas corujinhas gordinhas, fofinhas e engraçadinhas e que além de tudo pareciam bem fáceis de fazer (para alguém que saiba costurar, off course, o que definitivamente não é o meu caso). Na hora que vi as bichinhas pensei em fazer a árvore de Natal da minha infância reloaded…
Tenho que voltar um pouco mais no tempo para explicar essa história: no início dos anos 70, minha tia (e madrinha) costurou vários animaizinhos de pano e com eles enfeitou a nossa árvore de Natal. Tinha girafas, elefantes, onças, leão, passarinho e vários outros bichos coloridos. Pra quem não sabe, minha mãe é veterinária e em minha casa todos adoram animais.
Essa decoração sui generis contava ainda com um presépio onde leão, girafa, jacaré, hipopótamo e rinoceronte seguiam os Reis Magos em visita a um menino Jesus de cabelos azuis, aliás esse presépio existe até hoje e todos os anos é armado na casa de minha mãe.
Quando casei, trouxe do Peru diversos “dedoches” de bichinhos feitos em crochê e montei nossa árvore com eles, ficou linda e bem original. Entretanto com o nascimento das crianças nossa decoração de Natal ficou mais tradicional e as famosas bolas coloridas e luzinhas pisca-pisca passaram a adornar a árvore em substituição aos poeirentos bichinhos.
Esse ano, a minha ideia é transformar a árvore de Natal num corujal colorido, onde cada uma das sujeitinhas represente um membro da família. Além das corujas pretendo usar somente as luzes e uns poucos enfeites que eu guardo com especial carinho (um anjinho de palha que veio da Disney e um de tecido que Juju ganhou quando era bebê e colocou-o na árvore de livre e espontânea vontade, uma sereia que eu trouxe de Barcelona , uma caixinha de metal que minha mãe deu pros meninos colocarem os pedidos pra Papai Noel e Nessie, o monstro de Loch Ness que meu pai trouxe da Escócia).
Por enquanto temos 15 avezinhas prontas, mas acredito que precisaremos adicionar pelo menos umas 20 novas para contemplar a família toda.
Ah o tutorial da corujinhas eu peguei daqui, ó… mudei os olhos de feltro para botões e continhas e não fiz esse pezinho redondo pois minha ideia é de pendurar as bichinhas. E aí alguém se anima¿