Dudu Vidaloka

dudu1Dudu chegou em minha vida assim: em setembro do ano passado minha mãe ligou pedindo auxilio para entrar na casa dela trazendo um gatinho. Ela tinha alimentado o bichinho, feito um carinho e o felino a seguiu até a porta. Como lá tem dois cães e um gato, uma carregava o pretinho e a outra segurava os cachorros.  Quando fechamos a porta da sala, ele desceu do colo, não procurou briga com Fifi (o outro gato, que por incrível que pareça é idêntico a ele e também não se incomodou com sua presença), deitou na escada e pediu carinho.

No dia seguinte meu sobrinho Miguel em visita a avó, batizou o gatinho: Dudu.  O felino de rabo macio ficou apenas um ou dois dias até descobrir que vizinho à nova casa estava o Memorial Casa do Rio Vermelho. Um lugar cheio de gente bacana pronta para lhe dar carinho e principalmente, muita ração. O esperto fazia assim: pela manhã comia em casa com Fifi, fugia rapidinho para não ser pego pelos cães pulava o muro, ia até a recepção e começava a miar. Alguém logo entendia o recado: -Dudu está com fome.  Assim ele comia novamente (ele é magrinho mas tem uma fome secular), depois deitava no sofá da sala, ou no banco do jardim e ficava só esperando o carinho que invariavelmente chegava. Às vezes das mãos de algum funcionário e outras, das mãos dos visitantes. Todos encantados com o jeito bonachão e carinhoso do gato..

De vez em quando ele desaparecia, deixando todos nós preocupados, mas depois de algum tempo reaparecia meio lenhado de brigas e sempre muito magro. Foi numa dessas idas e vindas que ele ganhou a alcunha de Vidaloka.  Antônio, meu filho, autor do apelido, todos os dias me perguntava por ele: – Mãe, cadê o Vidaloka do Dudu?  Final do ano ele sumiu por muito tempo, dele só ouvia rumores: “Dudu arrumou uma namorada na vizinhança…” “Foi visto na rua lá de baixo…” “estava debaixo de um carro, magro como a necessidade…”.

Um dia ele reapareceu, ainda mais magro e mais machucado. Não tive dúvidas, coloquei-o no carro e levei pra casa. Frida, minha gata, detestou o novo morador e de vez em quando atacava o pobrezinho.  Dudu nunca se defendeu: encolhia-se no canto ou fugia apavorado.  O gatinho conquistou imediatamente todos os humanos da casa. Seu passatempo favorito passou a ser vir para nosso colo amassar pãozinho, fazendo barulhinhos de satisfação, enquanto era acarinhado. Quando chegava a noite, se aninhava na cama das crianças, aquecendo-se no calor dos meus filhos.

Meu plano era esperar ele engordar um pouquinho e leva-lo p castrar.  Não tivemos tempo para isso. Frida entrou no cio e transformou-se numa besta-fera, assassina. Os ataques que já estavam melhorando, passaram a ser terríveis. Num apartamento pequeno, tínhamos 2 gatos que não podiam se encontrar em hipótese alguma por isso, resolvi trazê-lo novamente para o museu. Num dia de carnaval soltamos ele aqui no jardim colocando num cantinho uma vasilha de comida e outra de água.

A partir dalí o sumiço foi completo… minha filha chorou muito em casa e eu, roída de culpa, procurava-o pelo Rio Vermelho todos os dias quando vinha pro trabalho ou voltava pra casa. Nunca o achei.

Esses dias meu gatinho reapareceu, ainda mais magro, com muitas marcas de briga na nuca e algumas na barriga. Não dei chance para o azar: prendi ele, chamei minha mãe para  vacinar e vermifugar e a noite cheguei com uma surpresa. Crianças em festa, Dudu Vidaloka em casa. Segunda-feira, antes que Frida entrasse novamente no cio, levei Dudu na Pet Family e literalmente “capamos o gato”. Antes de ir embora me deu um estalo e pedi um exame de sangue para sabermos se realmente estava tudo bem com ele.

Ontem os tais exames ficaram prontos e desde então eu estou muito triste e preocupada. O teste dele deu positivo para FIV, uma doença que mexe com a imunidade. Dudu está assintomático e se bem cuidado pode viver muitos anos, acontece que, embora a doença seja inofensiva para humanos, o mesmo não acontece para os outros felinos. A FIV é transmissível por mordidas, arranhões e até por usarem a mesma caixa de areia ou vasilhas de água e alimentação.

cb872222-b18a-464e-81e6-6a91f2bc3cb1Todo esse texto foi para explicar porque, mesmo com o coração na mão, nós não podemos ficar com Dudu. Quero pedir aos meus amigos que me auxiliem a encontrar um lar carinhoso para ele. Precisa ser uma pessoa que não tenha outros felinos, e queira ser dona do gato mais lindo e querido do mundo.