João Pestana

Quando eu era criança minha mãe contava a história de um velhinho que carregava um pozinho para jogar nos olhos das crianças fazendo-as dormir, para que tivessem sonhos bons.
João Pestana é uma espécie de Morpheu do folclore português, que acompanha os pequenos nas plagas oníricas e para mim sua companhia sempre foi bem vinda. Ô coisa boa é sonhar.

jp

Mais q uma pizza

Sexta-feira a noite e eu resolvo pedir uma pizza. Quando abro o Ifood, vejo uma pizzaria nova e desconhecida. Embora fosse meio carinha, resolvi arriscar: Pizza dos Deuses.Ao abrir o cardápio achei bonitinho, as pizzas mais estranhas, batizadas com nomes de Deuses antigos… escolhi uma de cogumelos chamada Hefesto, pra mim e uma Isis, de peru com geleia de amoras pra Tom. 

Depois de mais de uma hora esperando resolvi ligar pra pizzaria e saber o q estava acontecendo. 

– Boa noite, pedi uma pizza a mais de uma hora pelo aplicativo e nem sinal dela…

– É a senhora Maria que está falando? 

– A própria. EM carne, osso e fome.

– Nós estávamos com um problema e tentei ligar para a senhora… É que a senhora pediu uma pizza egípcia e uma grega. Nós não podemos misturar as duas, as massas são diferentes.

– Mil desculpas, é que eu não sabia que tinha que entender de mitologia pra pedir uma pizza. 

– Não se preocupe, já resolvi aqui, falei com meu superior e dei um jeitinho baiano (falou rindo).sua pizza já está saindo daqui, peço desculpas pela demora.

Desliguei o telefone com a certeza que nunca mais pediria nessa pizzaria. Mais um pouquinho de tempo passou e Tom desceu p buscar nosso jantar. chegou entusiasmado, avisando que tinha vindo tb um brigadeiro de brinde e ele já tinha comido. Continuou falando: -ele veio numa Burgman dourada com desenhos de Deuses e vestido de centurião romano. 

Quando me entregou a caixa, achei bonita e interessante. Comentei com o menino que rapidamente disse: -Você não viu nada, abra ela aí…

Mais um susto. A massa redonda, não muito fina, com dois sabores diferentes, terminava em pequenos rolinhos que pareciam dedos com as unhas pintadas de dourado (depois descobri que era ouro em pó, comestível).  Dentro de cada dedinho desses vem um pouquinho do recheio. 

Olhando com atenção a caixa vejo que optaram por ambientar o meu pedido no Egito. “No antigo Egito as pizzas eram confeccionadas para servir aos reis e pessoas consideradas mais próximas das divindades. As carnes das caças, consumidas pelos faraós e sacerdotes, eram colocadas por cima da massa de pão, para dar mais sabor à iguaria. Os banquetes eram acompanhados por instrumentos de corda e percussão, já que os egípcios acreditavam que a música fora inventada peo deus Toth. ”

Mais embaixo, um QR code e um convite: “ouça a fascinante música egípcia e mergulhe em uma atmosfera mágica, vivenciando um verdadeiro ritual oriental às margens do rio Nilo”

Bom comemos e nos regalamos. Muito mais que uma pizza tivemos uma experiência dos sentidos. Recomendo (só não invente de misturar os panteões)

The Land of Painted Caves

painted-cavesSabe aquele livro que você estava esperando sair a um tempão? Pois é: foi lançado em 2011 e até hoje necas de tradução pra português. Eu esperei e até fui paciente mas até agora nem sinal da edição brasuca (e nem lusa), só me restou então uma opção: arregacei as mangas, baixei a versão digital em inglês, dei um longo suspiro e comecei a ler.

Meu inglês tá mais enferrujado que geladeira em beira de praia mas mesmo assim eu fui em frente e aos trancos e barrancos, apanhando um bocado,  já estou a pouco mais de ¼ do livro. Ontem pela madrugada estava lendo uma passagem onde a filha bebê da heroína estava sobre a relva, sendo cuidada por Wolf (o lobo de estimação), enquanto a mãe catava frutinhas, raízes e ervas para preparar o jantar.

wolverine

De repente, ao ouvir um rosnado baixo, Ayla vê que algo estava para atacar a neném.  Rapidamente ela sacou a sua funda e mandou uma pedrada na direção certa. Um Wolverine saiu correndo atordoado e ela mais que depressa sacou seu lançador de lanças (pleonasmo, eu sei) e matou o dito cujo.

spears

Eu estava numa cena da idade da pedra e chega um X Men pra aterrorizar minha história? faça-me o favor, Hugh Jackman! É claro que eu não fazia a mínima ideia de que existia algo, ou algum animal, que tivesse o mesmo nome do mutante. Fui pesquisar no São Google e descobri que o Carcaju, ou Glutão, é homônimo do personagem de Len Wein. Mas aí eu já estava contaminada pela imaginação e não deixou de ser engraçado ler e imaginar Ayla e Jondalar tirando o couro do X-man para fazer capuchos de inverno para a família.

Dia de São Valentim

Existem algumas teorias que explicam a origem desse dia e contam como o mártir romano se tornou o patrono dos apaixonados.

Na verdade as comemorações de 14 de fevereiro são mais antigas que o cristianismo e nasceram na Roma Antiga. Nessa data acontecia a Lupercália, festa em homenagem a deusa Juno, que era associada à fertilidade e ao casamento.

Até aí tudo certo, mas quem foi Valentim, e por que ele se tornou o patrono dos enamorados¿

Em meados do séc. III DC, o Imperador Romano Claudius II resolveu que homens solteiros eram melhores soldados, já que sem família com a qual se preocupar eles entravam de corpo e alma nas batalhas ocupando-se apenas em obedecer as ordens dadas.

O bispo Valentim, não concordando com tal proibição, violou o decreto imperial e além de continuar celebrando casamentos, casou-se secretamente. Alguém deu com a língua nos dentes e o sacerdote foi preso e condenado à morte.

Durante o tempo de sua prisão, Valentim recebeu muitas flores e bilhetes de pessoas que diziam ainda acreditar no amor. Enquanto aguardava o cumprimento da sua sentença, o bispo se apaixonou pela filha cega de um carcereiro e, milagrosamente, devolveu-lhe a visão. Antes da execução, em 14 de fevereiro, Valentim escreveu uma mensagem de adeus para a moça, na qual assinava como “seu Valentim”.

A história é bonita mas foi apenas em 496 DC., que o Papa Gelásio I decidiu instituir o dia 14 de fevereiro como o dia de São Valentim, para que a celebração cristã fagocitasse os cultos pagãos.

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Happy Valentine’s Day.

Uma música, duas tristezas

Hoje Nando acordou cantando “O Mundo é um moinho” e eu escutando, voltei no tempo até minha infância, vendo na radiola lá do Rio Vermelho o velho disco de Cartola girar.

Lembrei da lenda que circulava a boca pequena, lá em casa, de que a música tinha sido feita depois de o compositor descobrir que a filha (na verdade enteada, filha de D. Zica) que tinha recentemente saído de casa, estava se prostituindo. Ao saber dessa história a letra da canção se torna ainda mais triste, é o sofrimento de um pai, vendo sua cria escolher um mau caminho, tentando por meio da poesia dar um conselho.

O Mundo É Um Moinho

(Cartola)

 

Ainda é cedo amor

Mal começaste a conhecer a vida

Já anuncias a hora da partida

Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

 

Preste atenção querida

Embora saiba que estás resolvida

Em cada esquina cai um pouco a tua vida

Em pouco tempo não serás mais o que és

 

Ouça-me bem amor

Preste atenção, o mundo é um moinho

Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos

Vai reduzir as ilusões à pó.

 

Preste atenção querida

De cada amor tu herdarás só o cinismo

Quando notares estás a beira do abismo

Abismo que cavaste com teus pés

 

Enquanto escrevia esse texto, a minha rádio-cabeça começou a tocar a versão de Cazuza nos anos 80 (gravação que faz alguns puristas torcerem o nariz  e eu acho linda e muitíssimo bem interpretada ). Quando lembramos a vida, as escolhas e os caminhos percorridos pelo cantor, vemos que os versos nesse caso também servem como uma luva, e como doem.

* Dei uma pesquisada aqui na web pra tentar saber se a história que eu tinha ouvido era verdadeira e encontrei algumas versões dessa lenda mas nada que confirmasse ou desmentisse nenhuma delas.

Queijo da Serra

Você já ouviu falar na Serra da Estrela¿ É onde encontramos as cadeias de montanhas mais altas de Portugal (continental, tá¿ esqueça os Açores). Devido a sua altitude, a localidade é o lugar mais frio da terrinha.

Esse lugar frio e bonito serve de pasto para as “Bordaleiras Serra da Estrela” ou “Churra Mondegueira”, espécie de ovelha considerada como a de melhor aptidão leiteira. Já viu onde eu quero chegar¿  Ultimamente, aqui nesse blog, tudo descamba para comida e hoje não vai ser diferente. Vamos ao que interessa.

O queijo Serra da Estrela (feito pelas tais ovelhas) remonta ao séc. XII é o mais antigo dos queijos portugueses, esteve presente em mesas reais e foi nomeado uma das 7 Maravilhas da Gastronomia de Portugal. Obviamente para os Celestino e os Amado, essa delícia tem lugar de honra no panteão das maravilhas culinárias.

ImagemCerta feita estava eu na Casa do Ribeiro, em São João de Rei, grávida, prestes a voltar ao Brasil e sem saber o que trazer de presente para D. Zélia, quando acendeu uma luzinha na minha cabeça. – Posso levar pra ela um queijo da Serra; prenda melhor não há.

Meu avô Celestino fez a encomenda e enquanto embalávamos a iguaria recebi veementes instruções de como proceder caso o laticínio fosse apreendido.

– Se pegarem teu queijo, você rapidamente destrói ele. Jogue no chão, pise em cima e deixe o pobrezinho completamente incomível, entendeu¿ As palavras não eram exatamente essas mas o sentido era.

Desembarquei no aeroporto de Salvador e além do enxoval para a bebê que morava na minha barriga, trazia na mala uma caixa de barquinhas*, um enorme pão-de-ló de Viana do Castelo (mandado por Natário, amigo dos velhos de toda a vida) e o famoso queijo.  Na hora de passar pela alfândega eu tremi nas bases. A luz verde se acendeu e pude passar sem ser incomodada. Ufa.

À noite, na Casa do Rio Vermelho, tivemos queijo da Serra no jantar.

*Faltou eu explicar o que é a Barquinha, mas isso é assunto para um outro post.

Johny Appleseed

A apresentação da turma de Júlia na festa da escola não foi tão legal. A segunda série ficou respnsável pelos anos 80 e a escolha da música “walk like an egiptian” não foi feliz. Com tanta coisa representativa dos infames eighties… podiam ter colocado Thriller (os meninos iam amar) ou Madonna, ou Dirty dancing ou Flashdance… tem tanta música bacana que daria uma apresentação bonita. Eu filmei mas nem vale a pena colocar aqui.

No dia seguinte, a sala de Juju apresentou uma peça fofa e pequenininha, sem grandes produções, no palco do parquinho de areia, só para os pais que puderam ir às 8 da matina prestigiar (eram bem poucos).

A peça é Johny Appleseed e conta a história verídica de um homem que no final do século XVIII e início do XIX seguiu andando pelos estados de Ohio, Indiana e Ilinois, nos EUA plantando sementes de maçã.

Johny se tornou uma lenda, e nessa montagem ele parece o menino maluquinho de Ziraldo, com uma panela na cabeça. O audio está baixíssimo e não dá pra ouvir direito, mesmo assim vale para vermos Juju arrasando de “frontier Mother”.