Oitis

Aqui no Memorial quando chega essa época do ano, o oitizeiro fica carregado e os frutos caem em uma quantidade tão grande que por mais que a gente limpe, sempre tem uns amarelinhos de cheiro forte no chão (até mudei o lugar que estaciono meu carro pelo risco de levar uma oitizada no capô ou no vidro).

Não sei se vocês conhecem essa fruta mas é um trocinho ovalado, do tamanho de uma cajarana, amarelo e que tem um cheiro forte que me lembra pequi. Não conheço ninguém que coma o tal oiti, além de Jorge, rapaz que faz serviços gerais aqui no museu e garante que o fruto tem gosto de jaca.

Certa feita ganhei um livro muito bacana de tia Paloma: “Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil”.  Por desencargo de consciência resolvi pesquisar pra ver se lá estava o bendito oiti e se encontrava alguma luz do que fazer com a enorme safra que se acumulava no jardim. O que eu buscava estava na página 305… 3 receitas utilizando o fruto.

Subi até a lojinha e convenci D. Guida (quando vierem ao Memorial, tirem um tempo pra conversar com ela, vocês não vão se arrepender) a preparar a receita que me pareceu mais apetitosa: um bolo. Corri ao jardim para catar os frutos maduros e fornecer assim a matéria prima (pra facilitar).

Ela prometeu que na terça-feira teremos a iguaria prontinha para degustação. Reza a lenda que o acepipe fica parecido com um bolo de chocolate e além de gostoso é bastante nutritivo. Vamos servir com um cafezinho. Mantenho vocês informados.

João Pestana

Quando eu era criança minha mãe contava a história de um velhinho que carregava um pozinho para jogar nos olhos das crianças fazendo-as dormir, para que tivessem sonhos bons.
João Pestana é uma espécie de Morpheu do folclore português, que acompanha os pequenos nas plagas oníricas e para mim sua companhia sempre foi bem vinda. Ô coisa boa é sonhar.

jp

Dia de São Valentim

Existem algumas teorias que explicam a origem desse dia e contam como o mártir romano se tornou o patrono dos apaixonados.

Na verdade as comemorações de 14 de fevereiro são mais antigas que o cristianismo e nasceram na Roma Antiga. Nessa data acontecia a Lupercália, festa em homenagem a deusa Juno, que era associada à fertilidade e ao casamento.

Até aí tudo certo, mas quem foi Valentim, e por que ele se tornou o patrono dos enamorados¿

Em meados do séc. III DC, o Imperador Romano Claudius II resolveu que homens solteiros eram melhores soldados, já que sem família com a qual se preocupar eles entravam de corpo e alma nas batalhas ocupando-se apenas em obedecer as ordens dadas.

O bispo Valentim, não concordando com tal proibição, violou o decreto imperial e além de continuar celebrando casamentos, casou-se secretamente. Alguém deu com a língua nos dentes e o sacerdote foi preso e condenado à morte.

Durante o tempo de sua prisão, Valentim recebeu muitas flores e bilhetes de pessoas que diziam ainda acreditar no amor. Enquanto aguardava o cumprimento da sua sentença, o bispo se apaixonou pela filha cega de um carcereiro e, milagrosamente, devolveu-lhe a visão. Antes da execução, em 14 de fevereiro, Valentim escreveu uma mensagem de adeus para a moça, na qual assinava como “seu Valentim”.

A história é bonita mas foi apenas em 496 DC., que o Papa Gelásio I decidiu instituir o dia 14 de fevereiro como o dia de São Valentim, para que a celebração cristã fagocitasse os cultos pagãos.

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Happy Valentine’s Day.

A Árvore de Natal

ÁrvoreEu adoro enfeitar a árvore de Natal e esse ano minha empolgação começou cedo. Em agosto encontrei um tutorial de corujas de pano e cooptei minha tia para me auxiliar a fabricá-las. Já falei um pouco das corujinhas aqui e não vou me repetir.

Chegando de viagem, agora no início de dezembro, arregacei as mangas e com o auxílio luxuoso da família montamos (e amarramos pro gato parar de derrubar) a nossa Corujárvore.

Além de uns bichinhos coloridos de madeira e das tão faladas avezinhas simbolizando toda a nossa família (cada um está representado por uma coruja), outros moradores se mudaram para a decoração de Natal e é deles que quero falar aqui.

enfeitesComeço com a estrela azul, simbolizando o céu, a estrela de Belém e o caminho que devemos percorrer para chegar a Jesus. A sereia, vinda de Barcelona, representa Yemanjá, a força das águas que lava a terra e os nossos sentimentos. Alex (Laranja Mecânica), lá do Poleiro de Cores, homenageia a literatura e o cinema (na verdade não é nada disso. Eu gosto dele e pronto). Os anjinho de palha e madeira vieram da Disney e me lembram de como é importante sonhar. Santo Antônio vem carregando o Menino Deus. As duas rosas de feltro mostram como é grande e suprema a natureza. O passarinho olhando pro enfeite do topo da árvore está no galho mais alto, pra nos lembrar que por mais alto que cheguemos sempre tem alguém acima, olhando por nós (ainda bem) e a coelhinha entrou só pra concretizar a profecia de que um dia Papai Noel e o Coelhinho da páscoa se encontrariam.

Assim fizemos uma árvore simples, bonita e cheia de significados (pra quem sabe ver).

Feliz Natal

Kikos Marinhos

No final dos anos 70 ou início dos 80 (sim amigos, eu estava lá) Salvador foi tomada por uma nova febre, assim como os iô-iôs da Coca-Cola, bambolês e patins.

A onda do momento era os “Kikos Marinhos”. Se você é mais novo que eu e não tem a menor idéia que é isso, eu explico: era uma kit que você comprava na banquinha de revista e vinha com dois envelopezinhos tipo ki-suco (um contendo ovos desidratados de um animalzinho marinho fantástico e outro com comidinha para alimentá-los) encartados num papelão grosso com desenhos de animaizinhos humanóides que garatiam ser os melhores pets jamais vistos.

Se vc não estava lá talvez também não saiba que naquele tempo não existia nada parecido com código de defesa do consumidor e o que era anunciado muitas vezes era bem diferente do que vc realmente levava pra casa. Assim eram os bichinhos… quer dizer os supostos bichinhos porque nem eu, e nem ninguém que eu conhecia, jamais viu nem a sombra deles. Depois de misturar o pozinho do envelope 1 com a água do copo, ficávamos durante dias, semanas olhando aquela água parada e esperando os humanóides rabudos eclodirem para vir brincar e fazer acrobacias como nos era prometido. O que acontecia é que geralmente minha mãe via a água ficar verde e mal cheirosa e deitava nossa experiência pela privada abaixo. Íamos novamente à barraquinha munidos de nossa mesada e reiniciávamos o processo.

Talvez você ache que éramos todos idiotas por acreditar em tal promessa, e continuarmos a gastar nossas economias em um brinquedo tão frustrante, sem ter nenhuma prova da existência real dos Kikos.  Mas éramos crédulos naqueles tempos pré internet e corria a boca pequena que a amiga da prima de uma vizinha tinha uns Kikos enormes que brincavam com ela e tudo. A prima da nossa amiga tinha visto e garantia. Certamente nós tínhamos feito alguma coisa errada. Isso não aconteceria da próxima vez (infelizmente a história se repetiu over and over, só mudando um pouco o final… uma vez eu derrubei o copo sem querer e chorei copiosamente sobre os cadaverezinhos invisíveis… daquela vez teria dado certo e eu estraguei tudo.)

Essa história facilmente ficaria esquecida em algum recôndito da minha memória, e lá esteve adormecida por todos esses anos. Esse mês, entretanto, numa viagem aos EUA, encontrei numa loja de briquedos a versão americana dos Kikos. “Sea Monkeys” é como chamam os bichinhos por lá. Não resisti e comprei o kit (não me chame de idiota. Talvez crédula demais ou ingênua, embora eu prefira acreditar que não perdi a fé na humanidade, nem deixei de confiar na sorte e apostar coisas que não compreendo).

Preparei as crianças para a provável decepção contando da minha experiência pregressa e ainda expliquei que caso nascesse alguma coisa daquela experiência a probabilidade de serem aqueles bichinhos fofinhos da caixa era quase nula.

Pegamos o aquariozinho que veio no kit (antigamente usávamos um copo qualquer), colocamos um anti-cloro (que na primeira versão não existia, ou pelo menos não lembro dele) e esperamos 24 horas pra a água ficar pronta.

No dia seguinte colocamos os ovinhos e mexemos a água.

Sabem o que é mais incrível? Nasceram uns bichinhos que a princípio pareciam pequenas virgulas transparentes em corpo 6, que movimentavam com desenvoltura pelo pequeno habitat.

A cada dia que passa (hoje faz uma semana que os ovos eclodiram) os bichinhos ficam maiores e o maior deles já tem o tamanho de uma unha. Eles parecem um cruzamento de barata do mar com pulga (ah eles tem um rabinho sim, mas daí a compará-los com macacos é uma puta licensa poética).

Posso ser sincera? Estou adorando meus Kikos Marinhos. Todos os dias quando chego do trabalho corro pra ver como eles estão, do mesmo jeito que Ju e Tom fazem quando chegam da escola. Chamo eles de meus nenéns e coloco na varanda pra pegarem uma luz mais intensa (eles não gostam de sol direto). Estou pensando até em colocar nomes para chamá-los individualmente (o problema é saber quem é quem). Voltei à infância e estou “lavando a jega”: Yes we can.