Novo código.

Um casal de visitantes aqui do Memorial estava na visita guiada e a mulher reclamava de tudo, incessantemente. De não poder sentar nos móveis, de que o som das projeções era alto e ela não conseguia ouvir a mediadora, que o ar condicionado do cinema estava frio… tudo virava queixa na boca da sujeita enquanto a nossa funcionária tentava agrada-la, mostrando coisas bonitas e interessantes.
Na saída a mulher reclamava muito e foi convidada a responder nossa pesquisa para deixar registradas suas queixas. Obviamente a megera meteu o pau, falando mal de tudo e de todos. O marido, coitado, com o olhar entre resignado e muito envergonhado, olha para nossa recepcionista  e pedindo desculpas, baixinho desabafa: “vocês não sabem o que é passar o Natal com ela!”
Adotamos o novo código.

8381367-un-scary-santa-regardant-tenant-un-sac-present-brillant_231x350

Anúncios

Pedro e festa da barriga.

Estávamos fazendo um cruzeiro em família e naquela noite Pedro (4 anos) não estava muito interessado em comer o jantar. Sentei ao seu lado e, lembrando da técnica ensinada pelas Motherns, lancei mão da “festa da barriga” para alimentá-lo. Comecei assim: – Você não sabe da maior…
E fingindo que contava uma super fofoca continuei: – Soube que tá tendo a maior festança dentro de sua barriguinha e a comida já está se arrumando para participar.
Enchi a primeira colher e segui entrando no clima: – O feijão vestiu seu terno marrom e está arrumadíssimo. agora ele pega carona na colher e…
imito a voz do feijão “-Pedrinho, abre a boca que eu já cheguei”
Pedro soltou uma gargalhada e abriu a boca para o primeiro convidado.
Depois veio dona Arroz, toda magrinha com seu vestido branco. Entrou correndo, sonhando em dançar com o feijão que tinha chegado mais cedo. Veio a colher das cenourinhas, entraram as ervilhas gordinhas e verdes, a batatinha frita nem parou na boca/portaria, seguiu cantando uma versão de “festa no ap” e assim o prato foi diminuindo enquanto a festa ficava cada vez mais animada.
Quando chegou a vez do pedacinho de carne entrar, a boca fechou-se e de nada adiantaram os meus apelos. A carne pedia pra ele abrir a porta, implorava, chorava dizendo que tinha comprado um vestido caríssimo para estrear na ocasião e o menino nada. Ria de boca fechada, sacudindo a cabeça de um lado para ou outro em sinal negativo.
Quando perguntei o que tinha acontecido, Pedro me explicou, taxativo: – A carninha não foi convidada.

The Land of Painted Caves

painted-cavesSabe aquele livro que você estava esperando sair a um tempão? Pois é: foi lançado em 2011 e até hoje necas de tradução pra português. Eu esperei e até fui paciente mas até agora nem sinal da edição brasuca (e nem lusa), só me restou então uma opção: arregacei as mangas, baixei a versão digital em inglês, dei um longo suspiro e comecei a ler.

Meu inglês tá mais enferrujado que geladeira em beira de praia mas mesmo assim eu fui em frente e aos trancos e barrancos, apanhando um bocado,  já estou a pouco mais de ¼ do livro. Ontem pela madrugada estava lendo uma passagem onde a filha bebê da heroína estava sobre a relva, sendo cuidada por Wolf (o lobo de estimação), enquanto a mãe catava frutinhas, raízes e ervas para preparar o jantar.

wolverine

De repente, ao ouvir um rosnado baixo, Ayla vê que algo estava para atacar a neném.  Rapidamente ela sacou a sua funda e mandou uma pedrada na direção certa. Um Wolverine saiu correndo atordoado e ela mais que depressa sacou seu lançador de lanças (pleonasmo, eu sei) e matou o dito cujo.

spears

Eu estava numa cena da idade da pedra e chega um X Men pra aterrorizar minha história? faça-me o favor, Hugh Jackman! É claro que eu não fazia a mínima ideia de que existia algo, ou algum animal, que tivesse o mesmo nome do mutante. Fui pesquisar no São Google e descobri que o Carcaju, ou Glutão, é homônimo do personagem de Len Wein. Mas aí eu já estava contaminada pela imaginação e não deixou de ser engraçado ler e imaginar Ayla e Jondalar tirando o couro do X-man para fazer capuchos de inverno para a família.

Uma questão de lógica

(coloquei este post hoje a tarde e não sei o que aconteceu mas ele sumiu. Ainda bem que tinha becape)

No carro, voltando da escola com as crianças, entramos numa conversa interessantíssima.

Ju: -Mãe, o anjos existem?

Eu: -Existem

Ju: -E o que é anjo?

Eu: -Anjos são os mensageiros de Deus.

Aí ela para, pensa um pouquinho e continua perguntando:

-E Deus fala com a gente diretamente, sem precisar de anjo também?

Eu: -Fala sim, filha. Já aconteceu de você pensar em fazer uma coisa e então uma vozinha na sua cabeça falar assim: “Não faça. Isso não vai dar certo, não é coisa boa…” ?

Ju: -Ah… isso já aconteceu comigo sim.

Eu: -Pois é: essa é a voz de Deus falando diretamente na sua consciência.

Tom que estava calado, só ouvindo a conversa, entrou de sola: -Eu nunca ouvi voz nenhuma na minha cabeça. Eu ouço é você dizendo: “-Tom, não faça isso… Tom não faça aquilo…” . Aí o sem vergonha olhou pra mim, abriu os braços e com um sorriso zombeteiro concluiu: Mãe, você é Deus!

O que respira uma mãe.

Tom estava meio triste/preocupado ontem. Ele quer participar de uma atividade extra do colégio mas precisa se integrar em algum grupo e, segundo o mesmo, todas as equipes estão cheias e sem lugar para ele.
Prometi falar com algumas mães com quem tenho contato para tentar conseguir uma vaga para ele.
A noite, já com bastante sono, o molequinho foi para minha cama pedir dengo e sondar como estava a minha intervenção no assunto escolar.
Depois de eu lhe explicar as respostas que obtive, ele se aninhou em mim, me abraçou e quase me sufoca com a coberta. Eu, fazendo cosquinha nele, expliquei: -Tom, eu preciso respirar pra continuar viva.
Ele, rindo de se acabar, me saiu com essa: -Claro que não, mãe. Você não precisa de oxigênio. Você respira “carbonato de soja”.

O maior beijo do mundo.

Essa história é antiguinha; Aconteceu no início de 2008, quando minha avó estava internada no Hospital Aliança e eu sempre que podia ia para lá ficar um pouquinho ao seu lado.

Naquele dia eu tinha pego Ju e Tom na escola e estava com os dois no carro, além da babá. Expliquei a eles para onde estávamos indo e disse que eles teriam que me esperar no jardim lá fora, pois crianças não eram permitidas nas visitas, mas se quisessem eu podia levar o beijo dos dois para a bisa.

Juju começou mandando um beijo enorme. Aí Tom, pra não ficar pra trás, abriu os dois bracinhos e disse que aquele era o tamanho do beijo dele. juju rapidamente mandou: -Mãe. Diz que meu beijo é do tamanho deste carro.

-E o meu é do tamanho do carro do meu pai, rapidamente Tom cobriu.

-Então o meu é do tamanho da Lua e do sol

-E o meu é o céu inteiro com lua, sol e todas as estrelas

Como ganhar de um beijo tão grande? Juju pensou um pouco e decidiu:

-Mãe. diz a vovó Zélia que meu beijo é maior que o dever de casa.

A discussão acabou com Júlia vitoriosa. Dei todos os beijos superlativos e ainda consegui de lambuja boas risadas de D. Zélia ao lhe contar a história.