Uma música, duas tristezas

Hoje Nando acordou cantando “O Mundo é um moinho” e eu escutando, voltei no tempo até minha infância, vendo na radiola lá do Rio Vermelho o velho disco de Cartola girar.

Lembrei da lenda que circulava a boca pequena, lá em casa, de que a música tinha sido feita depois de o compositor descobrir que a filha (na verdade enteada, filha de D. Zica) que tinha recentemente saído de casa, estava se prostituindo. Ao saber dessa história a letra da canção se torna ainda mais triste, é o sofrimento de um pai, vendo sua cria escolher um mau caminho, tentando por meio da poesia dar um conselho.

O Mundo É Um Moinho

(Cartola)

 

Ainda é cedo amor

Mal começaste a conhecer a vida

Já anuncias a hora da partida

Sem saber mesmo o rumo que irás tomar

 

Preste atenção querida

Embora saiba que estás resolvida

Em cada esquina cai um pouco a tua vida

Em pouco tempo não serás mais o que és

 

Ouça-me bem amor

Preste atenção, o mundo é um moinho

Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos

Vai reduzir as ilusões à pó.

 

Preste atenção querida

De cada amor tu herdarás só o cinismo

Quando notares estás a beira do abismo

Abismo que cavaste com teus pés

 

Enquanto escrevia esse texto, a minha rádio-cabeça começou a tocar a versão de Cazuza nos anos 80 (gravação que faz alguns puristas torcerem o nariz  e eu acho linda e muitíssimo bem interpretada ). Quando lembramos a vida, as escolhas e os caminhos percorridos pelo cantor, vemos que os versos nesse caso também servem como uma luva, e como doem.

* Dei uma pesquisada aqui na web pra tentar saber se a história que eu tinha ouvido era verdadeira e encontrei algumas versões dessa lenda mas nada que confirmasse ou desmentisse nenhuma delas.

Filhotes na Cozinha

Já perdeu até a graça falar que o Caboclo Postadô tá gordo, só me deixa falar de comida e etc… por isso vou pular essa parte e ir direto ao assunto.

Hoje a tarde resolvi ensinar as crianças a fazer bolo de caneca. Estava com saudades de gravar filminhos com eles e achei que seria uma ideia bonitinha (e ainda de lambuja me poupava de inventar ‘e fazer’ merenda). Peguei a câmera e gravei, primeiro Júlia e depois Tom, cada um do sei jeito, ensinando a receita, fazendo e comendo o resultado final. Depois fiz uma edição tosca no moviemaker e mandei pro youtube.

Juju que é chique e tem Blog próprio , postou seu vídeo. Tom ficou meio prejudicado e por isso não pude deixar de colocar aqui no Trapos, o filminho dele. Sei que a receita émanjada e todo mundo conhece, mas com um chef desses, quem não se encanta?

Johny Appleseed

A apresentação da turma de Júlia na festa da escola não foi tão legal. A segunda série ficou respnsável pelos anos 80 e a escolha da música “walk like an egiptian” não foi feliz. Com tanta coisa representativa dos infames eighties… podiam ter colocado Thriller (os meninos iam amar) ou Madonna, ou Dirty dancing ou Flashdance… tem tanta música bacana que daria uma apresentação bonita. Eu filmei mas nem vale a pena colocar aqui.

No dia seguinte, a sala de Juju apresentou uma peça fofa e pequenininha, sem grandes produções, no palco do parquinho de areia, só para os pais que puderam ir às 8 da matina prestigiar (eram bem poucos).

A peça é Johny Appleseed e conta a história verídica de um homem que no final do século XVIII e início do XIX seguiu andando pelos estados de Ohio, Indiana e Ilinois, nos EUA plantando sementes de maçã.

Johny se tornou uma lenda, e nessa montagem ele parece o menino maluquinho de Ziraldo, com uma panela na cabeça. O audio está baixíssimo e não dá pra ouvir direito, mesmo assim vale para vermos Juju arrasando de “frontier Mother”.

Everybody let’s rock

Essa semana foi a festinha de final de ano da escola das crianças. A sala de Antônio ficou responsável por representar o rock dos anos 60, dançando twist e ele deveria ir vestido de preto, com uma jaqueta de couro.

No dia da festa, Tom se arruma com calça e camiseta preta e coloca por cima da roupa um casaco enorme de couro e lã (é isso mesmo que você leu). Imagine o calor que está fazendo em Salvador e pense na criatura… Eu tentei convencê-lo a me deixar levar o dito casaco na hora da apresentação mas o moleque me explicou:

-Sabe o que é mãe? Eu sinto muito frio no transporte.

Eu entendi a ansiedade do garoto e ele foi pro ônibus paramentado e feliz da vida. Quando cheguei na escola para assistir à apresentação, a professora me avisou que Tom passou a manhã inteira (35 graus, segundo um termômetro de rua perto da escola) com o casacão, pronto para entrar no palco e suando mais que um cuscus.

todo o esforço valeu a pena… vejam se não era o dançarino de twist mais lindo e ritmado do mundo. Como diria Caetano: Tom é tímido e espalhafatoso.