Oitis

Aqui no Memorial quando chega essa época do ano, o oitizeiro fica carregado e os frutos caem em uma quantidade tão grande que por mais que a gente limpe, sempre tem uns amarelinhos de cheiro forte no chão (até mudei o lugar que estaciono meu carro pelo risco de levar uma oitizada no capô ou no vidro).

Não sei se vocês conhecem essa fruta mas é um trocinho ovalado, do tamanho de uma cajarana, amarelo e que tem um cheiro forte que me lembra pequi. Não conheço ninguém que coma o tal oiti, além de Jorge, rapaz que faz serviços gerais aqui no museu e garante que o fruto tem gosto de jaca.

Certa feita ganhei um livro muito bacana de tia Paloma: “Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil”.  Por desencargo de consciência resolvi pesquisar pra ver se lá estava o bendito oiti e se encontrava alguma luz do que fazer com a enorme safra que se acumulava no jardim. O que eu buscava estava na página 305… 3 receitas utilizando o fruto.

Subi até a lojinha e convenci D. Guida (quando vierem ao Memorial, tirem um tempo pra conversar com ela, vocês não vão se arrepender) a preparar a receita que me pareceu mais apetitosa: um bolo. Corri ao jardim para catar os frutos maduros e fornecer assim a matéria prima (pra facilitar).

Ela prometeu que na terça-feira teremos a iguaria prontinha para degustação. Reza a lenda que o acepipe fica parecido com um bolo de chocolate e além de gostoso é bastante nutritivo. Vamos servir com um cafezinho. Mantenho vocês informados.

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O Sal da Vida

amigosHoje de manhã recebi um email de um amigo querido convidando para “visitar o seu moinho”. Minha surpresa e alegria não poderia ser maior: eu já sou fã assumida de seus textos (infelizmente Cris é um rapaz ocupado e tem hábitos bissextos na atualização de seu Blog) e pra mim é sempre uma alegria ouvir as histórias do Rio Vermelho, bairro onde nasci, e de sua gente peculiar.

Para quem não conhece o Cristiano, faço questão de apresentar: Cris é blogueiro, artista plástico, administrados e filho do grande Floriano Teixeira. Um desenhista  e pintor de mão cheia, pessoa da mais alta qualidade, amigo de toda a vida. Floriano é responsável por ilustrar vários livros de meu avô, dando cores e caras a seus personagens.

Cristiano escreve com graça e molho, fala da gente simples do Rio Vermelho, das ruas de paralelepípedo, do mar, da igrejinha dos pescadores, da festa de Yemanjá e de sua família muito querida.

Hoje minha surpresa foi ouvi-lo falar do nosso quintal. O jardim da casa de número 33, da rua Alagoinhas. Ali nasci e cresci, comendo manga, cajá, jambo e carambola, disputando a tapa com os micos o espaço nas árvores.

Vou colar aqui um pedacinho do post que me emocionou só pra dar um gostinho do que vocês vão encontrar lá no blog do Cristiano.

jardimOutro dia, fiz para o almoço uma de minhas especialidades culinárias. Um suculento sanduiche de pão integral assado em meu forno, presunto com queijo, tomate e alface americana, aquela que parece um repolho e suas folhas são crocantes como o beijú. Não uso presunto de verdade, e sim aquilo que o fabricante orgulhosamente chama de “presunto de peito de peru light”. Ele anuncia aos quatro cantos que é saudável, e eu faço as pazes com a minha consciência pois, estou finalmente cuidando de minha saúde. Depois de montar minha criação gastronomica, coloquei-a num prato sobre a janela que dá para o jardim, enquanto fui até a cozinha procurar por alguma bebida que combinasse com a iguaria. Ao voltar com o copo cheio de chá gelado, o sanduiche não estava mais lá. Simplesmente havia sumido como por um encanto. Só deixaram o prato e nada mais. Como só havia eu em casa, aquele súbito desaparecimento tomora o contorno de um caso de mistério. Eu poderia jurar a mim mesmo que eu havia feito um sanduiche e o colocado por alguns minutos sobre a janela. Dei a volta pela porta da sala até o jardim para ter uma melhor perspectiva daquele intrigante mistério e, quem sabe até, desvendá-lo. Não tive trabalho para matar a charada. Por um galho do nosso mirrado pé de pinha, um sagüi fugia levando o meu almoço!

*Na foto do começo do post, da esquerda para direita:  Floriano Teixeira, Jorge amado, Aldemir Martins e Mirabeau Sampaio