Uma questão de lógica

(coloquei este post hoje a tarde e não sei o que aconteceu mas ele sumiu. Ainda bem que tinha becape)

No carro, voltando da escola com as crianças, entramos numa conversa interessantíssima.

Ju: -Mãe, o anjos existem?

Eu: -Existem

Ju: -E o que é anjo?

Eu: -Anjos são os mensageiros de Deus.

Aí ela para, pensa um pouquinho e continua perguntando:

-E Deus fala com a gente diretamente, sem precisar de anjo também?

Eu: -Fala sim, filha. Já aconteceu de você pensar em fazer uma coisa e então uma vozinha na sua cabeça falar assim: “Não faça. Isso não vai dar certo, não é coisa boa…” ?

Ju: -Ah… isso já aconteceu comigo sim.

Eu: -Pois é: essa é a voz de Deus falando diretamente na sua consciência.

Tom que estava calado, só ouvindo a conversa, entrou de sola: -Eu nunca ouvi voz nenhuma na minha cabeça. Eu ouço é você dizendo: “-Tom, não faça isso… Tom não faça aquilo…” . Aí o sem vergonha olhou pra mim, abriu os braços e com um sorriso zombeteiro concluiu: Mãe, você é Deus!

Everybody let’s rock

Essa semana foi a festinha de final de ano da escola das crianças. A sala de Antônio ficou responsável por representar o rock dos anos 60, dançando twist e ele deveria ir vestido de preto, com uma jaqueta de couro.

No dia da festa, Tom se arruma com calça e camiseta preta e coloca por cima da roupa um casaco enorme de couro e lã (é isso mesmo que você leu). Imagine o calor que está fazendo em Salvador e pense na criatura… Eu tentei convencê-lo a me deixar levar o dito casaco na hora da apresentação mas o moleque me explicou:

-Sabe o que é mãe? Eu sinto muito frio no transporte.

Eu entendi a ansiedade do garoto e ele foi pro ônibus paramentado e feliz da vida. Quando cheguei na escola para assistir à apresentação, a professora me avisou que Tom passou a manhã inteira (35 graus, segundo um termômetro de rua perto da escola) com o casacão, pronto para entrar no palco e suando mais que um cuscus.

todo o esforço valeu a pena… vejam se não era o dançarino de twist mais lindo e ritmado do mundo. Como diria Caetano: Tom é tímido e espalhafatoso.

 

Coração de Abóbora

Tom estava com uma mania chata. Sempre que algo o desagradava ele dizia:

-Eu odeio isso (ou aquilo).

Um dia, depois de um carão por qualquer motivo, ele se voltou pra mim e disse:

-Eu odeio você, mãe.

Eu expliquei que não queria aquela palavra na boquinha dele. Que não era uma palavra e nem um sentimento legal. Falei que ele podia ficar chateado, e não gostar de alguma coisa, mas odiar… é mais pesado. Também disse que quem odeia está com o diabo (lá ele) no coração. Ódio não é coisa de Deus.

Ontem, na hora do almoço, o safadinho comeu um pedação de bolo. Eu, no meu papel de mãe, preparei o prato dele com tudo o que tinha direito: arroz, feijão, carne, batata e abóbora.

Na hora que ele, sem fome, viu o prato feito começou a ladainha…

– Eu não quero abóbora, nem adianta que não vou comer.

Eu pedi à Regina que guardasse o prato dele no microondas. Decretei que nada além daquele prato de comida poderia ser servido pra Tome quando ele sentisse fome comeria tudo. Ele continuou reclamando e num momento entre choro, birra e mal criação me explicou:

– Sabe o que é mãe? É que eu tenho o diabo no meu coração de abobora.

Eu quase caio da cadeira de dar risada, é claro. Meu pequeno Rato Careca Urso Polar Aquático Orelha de Pedra agora tem mais um complemento oficial: Coração de Abóbora. Não é lindo?

Rato Careca Urso Polar Aquático Orelha de Pedra ao seu dispor.

Antônio tem os dentes pequenininhos (todos de leite) e separadinhos um do outro; É a coisa mais fofa (segundo Fernando: são dentinhos de rato). Um belo dia chegou em casa com o pai, vindos do cabeleireiro, ambos de cabelos raspados na máquina (careca). À noite, de vez em quando, ele chega gelado como um picolé na nossa cama e se aninha coladinho em mim, depois de se esquentar um pouco, fica agoniado com o calor e se muda para o cantinho, bem na cara do condicionador de ar (urso polar), quando se esquece de fazer pipi antes de deitar, acorda encharcado e vem pra meu quarto pedir guarita (aquático). Outro dia desses chegou da escola com uma pedra enfiada no ouvido e tivemos que ir ao médico para conseguir tirá-la (orelha de pedra). Assim o apelido vai crescendo e se adequando ao momento.

De vez em quando aparece o menino de cabeça pra baixo, plantando bananeira e se dizendo morcego, ou pulando do sofá para a cadeira, da cadeira para o chão e se intitulando macaco saltador, ou na piscina nadando por baixo da água e requerendo a patente de tubarão martelo.